Imaginem este cenário: uma indústria de milhões, em que há três empresas que recebem 90% das receitas. Tenta-se criar uma legislação para que essa receita seja dividida de forma mais equalitária, o que seria benéfico para toda essa indústria, até porque deu bons resultados noutros países.
Imaginem que uma dessas empresas que tem o monopólio faz lóbi em cima dos deputados, especialmente com aqueles que até têm ações dessa dita empresa.
O que seria se tal acontecesse com uma petrolífera ou um banco. As vestes que se rasgariam contra os interesses do grande capital, a corrupção daqueles que querem beneficiar os amigos.
Mas, como se trata de futebol, o bom senso é o primeiro a morrer.
Benfica e o lóbi pelos direitos televisivos… e por uma rádio
A postura do Benfica em todo o processo de centralização dos direitos televisivos do campeonato é para lá de deplorável. O desprezo por algo que é claramente benéfico para o futebol nacional, apenas para pensar nos próprios botões, é um insulto à própria história do autoproclamado maior clube de Portugal que, diga-se, tem bem mais receitas além da TV.
E nesta sede por querer ter o bolo só para si, entram no jogo deputados de vários partidos, que não escondem as cores clubísticas e deixam-se cegar por bola. Muitos deles que vêm falar de independência e luta contra interesses, mas deixam essa imparcialidade de lado quando se toca no clube do qual até são sócios.
O msmo aconteceu quando Rui Costa, presidente das águias, foi várias vezes queixar-se aos gabinetes parlamentares da ERC não aceitar as transmissões da Benfica FM, a estação de rádio que não cumpre os peessupostos do regulador. Imagine-se tentar trepar por uma autoridade de outra área pela via do decisor das leis. O que seria.
A petição entregue pelo Benfica no Parlamento para travar a centralização vai servir para se ver bem quem são os parlamentares, pagos com dinheiro de todos e elegidos pelos portugueses, que vão meter o interesse clubístico à frente da independência dos lóbis.
Porque, para alguns, se for o Benfica a puxar cordelinhos para atingir os próprios interesses, então tudo bem.

