Campanhas eleitorais! De quatro em quatro anos (se tivermos sorte) os políticos saem à rua para confraternizar com o povo. É um momento único: candidato cara a cara com o eleitor.
Em mais de 50 anos de democracia, tivemos vários momentos inesquecíveis.
Peguem nas bandeiras e dêem corda aos sapatos. Vamos na arruada conhecer os 10 momentos insólitos das campanhas eleitorais.
Cavaco e Jerónimo festejam o réveillon
Cavaco Silva e Jerónimo de Sousa. Os dois juntos têm mais de 100 anos de vida política. Em comum, só uma característica: ambos estão longe de ser o pináculo da diversão.
Por isso é que foi tão bizarro vê-los na televisão a abrir garrafas de champanhe e a dançar na passagem de ano de 1995 para 1996.
É que a campanha eleitoral para as presidenciais calhou mesmo em cima do réveillon… O que nos deu um momento delicioso.
António Costa e a corrida de um Ferrari com um burro
Nas autárquicas tudo serve para tentar ter atenção, numa eleição que se estende a mais de 300 municípios e a milhares de freguesias. Por isso, as ideias conseguem ser rocambolescas.
Como aconteceu com António Costa, candidato à Câmara de Loures em 1993. Para criticar os problemas no trânsito, organizou uma corrida entre um Ferrari e um burro.
No final, ganhou o burro. Já António Costa perdeu a eleição e só conseguiu ser presidente de Câmara quando ganhou Lisboa anos mais tarde.
Marcelo vai a banhos no rio Tejo
Costa e Marcelo eram unha com carne quando estavam no poder. Foram aluno e professor, o que pode explicar terem ambos ideias fora da caixa.
A lutar pela vitória em Lisboa em 1989, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou-se de uma jogada mediática: mergulhar no rio Tejo, na altura afetado pela poluição.
Infelizmente, a proeza valeu-lhe de pouco e perdeu a capital para Jorge Sampaio (Curiosamente, os dois viriam a ser Presidentes da República).
Ramalho Eanes dá o peito às balas
Se hoje em dia as campanhas são um teste à capacidade de reter a atenção do eleitor, no início da democracia eram cenas de tensão e, não raras vezes, de pugilismo.
Com o fervor ideológico em máximos, muitas vezes havia confrontos e insultos com a passagem das caravanas dos candidatos.
Isso aconteceu a Ramalho Eanes, candidato à presidência em 1976. Durante um comício em Évora, os ânimos aqueceram e começaram a ser disparados tiros.
Inconformado, Eanes subiu para cima do carro e seguiu viagem, imponente e de peito feito. Uma imagem para a história.
Montenegro leva com tinta
Esta tem especial piada porque eu estava lá quando aconteceu. Corria a campanha das legislativas de 2024 quando Luís Montenegro, o candidato da AD, foi visitar a BTL, em Lisboa.
Esperámos mais de uma hora por ele, que tinha estado na noite anterior na Covilhã e ia começar esse dia na capital. Quando chegou e nos preparávamos para o habitual correr atrás, um miúdo atirou-lhe uma lata de tinta verde para cima, num protesto habitual na altura dos ambientalistas radicais.
Nem visita à BTL nem nada, o dia ficou marcado pelo episódio da tinta e nem se deu atenção ao discurso de Carlos Moedas, que apareceu na campanha em Évora.
Para mim, ficou imortal a reação de Nuno Melo, do CDS: “Que grande atrasado mental!”
Soares e a paulada na Marinha Grande
Em todas as campanhas eleitorais recorda-se este episódio histórico.
Na primeira volta das eleições presidenciais de 1986, Mário Soares foi em campanha até à Marinha Grande, terra com muita força do PCP.
Ao chegar ao concelho, foi atacado por um grupo de manifestantes que o esperavam e o fundador do PS teve de se refugiar numa fábrica de vidro.
Lá dentro atacou forte e feio os comunistas: “Isto é Portugal, não é Moscovo!”
Diz a lenda que este foi o ponto de viragem, numa eleição que acabaria com vitória Soarista na segunda volta.
“É apenas fumaça!”
Não foi propriamente em campanha eleitoral, mas esta tinha de entrar aqui.
Em pleno PREC, o então primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo organizou um comicio no Terreiro do Paço, de apoio ao governo.
Na multidão começaram a acontecer desacatos e, perante os tumultos, o chefe de governo tentou acalmar os ânimos com expressões memoráveis: “O povo é sereno. É apenas fumaça.”
André Ventura: enfarte ou azia?
Em maio de 2025, uma fraturante discussão marcou o país: André Ventura teve um enfarte ou um ataque de azia?
Estávamos na campanha para as legislativas quando o líder do Chega se sentiu mal num comício. Foi para o hospital, mas depressa teve alta.
Voltou para as arruadas e sentiu-se mal outra vez. Voltou para o hospital.
No final de contas, teve um refluxo gástrico e muitas horas na televisão de carros da TV a segui-lo para o Hospital.
Teve mais sorte que o Sousa Franco, que teve mesmo uma ataque cardíaco em 2004 durante a campanha para as Europeias e acabou por falecer.
Valentim Loureiro: “Guterres… Gondomar!”
De todos os momentos caricatos que Valentim Loureiro nos deu, este é um dos mais memoráveis.
Corria a campanha eleitoral para as legislativas de 1995 e a caravana do PSD foi até Gondomar para apoiar o candidato Fernando Nogueira contra o PS de António Guterres.
O major Valentim, no meio da sua euforia, sacou de uma gaffe: “Vamos todos gritar: Guterres… Gondomar!”
António Costa exalta-se
Já vimos casos de eleitores a confrontar candidatos. Mas e quando é o político a exaltar-se com a população?
Em outubro de 2019, em plena campanha eleitoral, o primeiro-ministro e recandidato António Costa estava na baixa de Lisboa quando um eleitor o confrontou, acusando-o de ter estado de férias durante os grandes incêndios de Pedrógão Grande, o que deixou o socialista exaltado e a gritar “é mentira”.
Depois veio-se a saber que o idoso era sim um antigo autarca do CDS.
Quanto à acusação de estar de férias durante os incêndios de Pedrógão, é mentira. Costa acompanhou os fogos e só partiu para banhou no mês seguinte.

