Abandonos por não jogar, tentativas de pressionar o selecionador a pedir desculpa e uma fuga do estágio estão a tornar o final da carreira de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional num embaraço.
Jorge Jesus vai levando a sua avante e nem nas televisões CR7 tem apoiantes a não ser, curiosamente, na CMTV e NOW, os canais dos quais é dono.
Excerto do Proscrito Live de 8 de outubro.
Cristiano Ronaldo: quando uma lenda não percebe que acabou para a Seleção Nacional
Oslo. Noite fria. Aos 97 minutos, o árbitro apita para o final do jogo. Portugal ganhou 2-1. O capitão, que nem saiu do banco, arranca de imediato para os balneários. Nem festeja com os colegas. Assim começou um duelo Cristiano Ronaldo vs Jesus.
O que veio a seguir ainda foi pior. Ronaldo exigiu que o selecionador seguisse 8 pontos, entre os quais comparar o jogador a Maradona ou Pelé, para “perdoar” a decisão do técnico em não metê-lo a jogar. Após a conferência de imprensa, onde Jesus não terá seguido a cartilha, abandonou o estágio e foi embora de jato privado. Para acabar em beleza, revelou tudo isto num comunicado em que dizia não ter confiança no treinador.
É difícil entender a atitude de Ronaldo. Tem 41 anos, está longe da sua época áurea e as pernas já não permitem fazer a magia que o definiu durante 20 anos, estando relegado para ponta-de-lança.
CMTV, NOW e a Medialivre numa defesa desesperada pelo acionista
Ao longo destas semanas de polémica, um Órgão de Comunicação Social tem-se demonstrado como acérrimo defensor de Cristiano Ronaldo, numa tentativa de puxar culpas para Jorge Jesus e limpar a imagem do capitão português: A CMTV e NOW, tal como outros títulos detidos pela Medialivre.
Qual é a “graça” de toda esta proteção ao jogador? Só o facto de CR7 ser um dos maiores acionistas da empresa detentora destes canais e jornais. O flic flac à retaguarda é liderado por vários diretores da casa, como Vítor Pinto, que até veio dizer que Cristiano Ronaldo estava aborrecido porque o filho Cristianinho não foi convocado para a seleção sub-16.
Este vira-casaquismo jornalístico tem sido visível desde que o jogador entrou para a lista de donos da empresa em 2023. Lembram-se das manchetes sobre a marquise da casa em Lisboa ou das investigações ao caso Mayorga? Tudo desapareceu desde então.
Refira-se que este (inexistente) escrutínio à medida para os acionistas não é exclusivo da Medialivre. Na concorrência, para os lados de Queluz de Baixo, também salta para fora do alinhamento qualquer notícia sobre os processos na justiça a envolver Mário Ferreira, o empresário dos cruzeiros detentor da maioria da dona da TVI.
Da próxima vez que ouvirem falar de jornalismo independente, pensem duas vezes.

