Portugal foi ao Mundial com ambições de ir longe, mas Roberto Martínez e a Seleção Nacional saíram de mãos a abanar da aventura pelas Américas. Sem surpresa, o espanhol saiu após a eliminação.
O seis foi de azar. Tanto o dia, como o matreiro jogador espanhol que atirou Portugal para fora do Mundial. Foi o fim de linha para a Seleção Nacional… e para Roberto Martínez.
Olhando para trás, entende-se que o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Os pecados do numerologista Martínez foram demasiados e, no fim, a grande nau portuguesa voltou a afundar, apesar de ter mais uma tripulação de grande nível.
Pecado 1 – Continuidade pós-Liga das Nações
Levantar o troféu da Liga das Nações em 2025 foi a primeira peça deste dominó. Aí, percebeu-se que tanto Martínez como o presidente da Federação, Pedro Proença, estavam bem com um dado adquirido: o selecionador estar a prazo. O técnico espanhol não ter a cabeça fria para sair quando claramente não era desejado e o chefe da FPF achar que podia encarar uma grande competição com esta precariedade na liderança, foi um erro crasso.
Pecado 2 – Palhinha ficar em casa
Foi a decisão que mais questões levantou aquando da convocatória e foi uma pedra no sapato ao longo do torneio. Descartar um dos melhores médios defensivos portugueses foi um falhanço que pode explicar a ineficiência do meio-campo. Uma perda que custou caro.
Pecado 3 – A gestão de Cristiano Ronaldo
Vamos a factos. Ronaldo é o melhor jogador de sempre. Outro facto. Aos 42 anos, já não dá a mesma intensidade nos 90 minutos. Algo natural, fácil de compreender e que Roberto Martínez nunca soube gerir. Um bom líder conseguiria gerir a vontade do capitão jogar o jogo todo com fazer as mudanças que mais dêem à equipa. Infelizmente, o selecionador falhou redondamente, deixou um jogador de 42 anos plantado na frente, independentemente dos resultados e nunca soube travar uma das teorias que mais minou a relação adeptos-seleção. Um falhanço.
Pecado 4 – Gonçalo Ramos a definhar
Por falar no ataque, a gestão de Gonçalo Ramos foi para lá de horrenda. Quase se recriminou o jogador por marcar golos por Portugal e o que se passou com a Espanha seria motivo mais que suficiente para dispensar Martínez. Um crime que alguém terá de explicar um dia.
Pecado 5 – A mesma cassete, todos os jogos
É difícil levar a sério um treinador que vê coisas diferentes da realidade e Martínez cometeu esse erro demasiadas vezes. O discurso passivo, de “ah que azar, deram tudo” em vez de exigir o máximo deixou uma imagem de uma equipa que não estava focada o suficiente em ganhar o Mundial.
Pecado 6 – Receio de tudo e todos
Cautela é boa. Permite que evitemos erros estúpidos, como bater no carro da frente porque não se parou no STOP ou golos de extremls inspirados. Martínez pecava por excesso aqui. Sempre a resguardar, a atiçar pouco a equipa e a permitir que o meio-campo se perdesse.
Pecado 7 – Para mexer assim, mais vale estar quieto
Alguém percebeu, alguma vez, as substituições desta seleção? Nem eu, se calhar isso explique a nossa falta de ideias.
Futuro de Portugal: Adeus, Martínez. Olá, Jorge Jesus
Surpresa, surpresa, vem aí um novo selecionador. Será o primeiro da nova gestão de Pedro Proença que, como é seu apanágio, vai atrás da popularidade. Por coincidência, um dos treinadores disponíveis mais populares é Jorge Jesus, que deve mesmo ser o sucessor.
Com JJ, não será por marasmo que não se irá longe. Em clubes, do Benfica e Sporting ao Flamengo, habituou-nos a um futebol intenso, cheio de golo e a um feitio suis generis.
Venha daí bom futebol e que, daqui a quatro anos, Portugal esteja finalmente perto de ser feliz.

